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Julia Bonn

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Médica Intensivista Pediatra.

Sala de Parto: um breve resumo de tudo que poderá acontecer

Julia Bonn outubro 7, 2019 0 comments
sala parto - Sala de Parto: um breve resumo de tudo que poderá acontecer

Um belo dia você está em casa e eis que na madrugada daquele nono mês de gestação a bolsa amniótica se rompe. Você pega a bolsinha do bebê, os seus documentos, e sai correndo para a maternidade. O que vai acontecer depois disso?

Você será acolhida por uma equipe de saúde que constará basicamente de médicos (obstetra e pediatra), enfermeiros e técnicos de enfermagem. Após ser examinada pelo obstetra, uma vez constatado o trabalho de parto, e confirmado o desejo pelo parto normal, você será colocada dentro de uma sala chamada sala de parto. É nesta sala que você ganhará o seu bebê. Esta “sala” nada mais é que um quarto comum (com tv, frigobar, etc) mas que tem uma maca, bercinho e medicações e instrumentos imprescindíveis para um parto seguro.

Para este momento a legislação brasileira autoriza a presença de uma acompanhante – geralmente o pai do bebê – mas poderá também ser a sua sogra, mãe, irmã ou qualquer outra pessoa que esteja com você e te ajude neste processo.

Depois de longas horas de contrações e repetidas avaliações quanto a progressão do parto o obstetra vai chamar o pediatra – o momento finalmente chegou. O pediatra irá coletar rápida história gestacional, checar os seus exames pré-natais (portanto não os esqueça em casa!) e arrumar um bercinho, para o caso do seu bebê precisar de mais cuidados.

Se o bebê nascer bem ele irá direto para o seu colo e você experimentará a melhor sensação do mundo. O cordão umbilical poderá ser clampeado pelo pai, se ele assim desejar, no momento oportuno. Este procedimento é indolor para o bebê e importante para que se crie o vínculo paterno. A amamentação já poderá ser iniciada e um vínculo materno se formará. É normal que seu bebê nasça roxinho e, aos poucos, recupere a cor rosada.

A presença do pediatra é fundamental pois ele é o profissional mais capacitado para reanimação do bebê, se, digamos, as coisas não forem tão bem assim. Ele examinará o seu filho quanto a presença de malformações, tipo de choro, avaliará os sinais vitais e, por fim, dará uma “nota” chamada APGAR; esta nota varia de 0 a 10 e se baseia no exame físico no fim do primeiro e quinto minutos de vida. Esta “nota” reflete a vitalidade do bebê ao nascimento e ajudará o pediatra a definir condutas.

Quais procedimentos serão feitos com meu bebê após o nascimento? Isto vai depender. Alguns bebês precisarão de controle glicêmico (sim, vão “furar” seu bebê algumas vezes para que se tenha controle do “dextro”), outros precisarão ficar em observação num bercinho aquecido (seja para controle da temperatura ou normalização da respiração) e outros poderão precisar de melhores cuidados em um centro de tratamento intensivo neonatal – a UTIN. Também deverão receber uma injeção de vitamina K (ela é importante pois evita hemorragia) e colírio nos olhos e, se meninas, na vagina – tudo isto para prevenir infecções. É importante que você saiba que nenhum procedimento será feito com seu bebê a menos que seja essencial e que todos eles são baseados em evidências científicas para que ele cresça forte e saudável.

Normalmente, se não houver complicações, a alta deverá ocorrer em até 48 horas de vida. Este tempo de internação é importante e deverá ser respeitado, pois alguns bebês (e puérperas) poderão apresentar complicações nas horas seguintes ao parto. O primeiro banho só será feito no dia seguinte ao nascimento e, é normal que seu bebê perca um pouco de peso.

Findadas as 48 horas você finalmente irá para casa desfrutar dos melhores e mais difíceis momentos da sua vida e uma nova jornada se iniciará. Muitas dúvidas e incertezas virão à tona mas você só precisa saber que este sentimento é passageiro e comum a todos os pais, e, que com o tempo, você vai tirar de letra! Agora que você já sabe de tudo que poderá acontecer é só respirar fundo e curtir este momento.

A Saúde das Crianças na Era Digital

Julia Bonn agosto 22, 2019 0 comments
saúde na era digital

Que atire a primeira pedra aquele que nunca distraiu o seu filho com um dispositivo tipo smartphone! Todos que temos filhos sabemos: um aparelho destes é um verdadeiro aliado na hora que acalmar um choro, colocar para dormir ou, com a graça de Deus, tirar uns minutinhos para si próprio. Fato é que a realidade é mais dura: estudo recente mostra que 96,6% das crianças de até 4 anos de idade, na sala de espera de uma clínica pediátrica de baixa renda, usavam dispositivos móveis e 75% delas possuíam seu próprio dispositivo! Aliado a esta realidade estão a falta de limites e supervisão dos pais e cuidadores, o que coloca a saúde deles em extremo risco.

Os efeitos negativos são inúmeros; dentre eles podemos citar: comprometimento do sono, aprendizado e atenção, variações de humor (com risco de depressão e ansiedade), alterações do sistema hormonal (obesidade e sobrepeso), comprometimento da audição e visão, e o risco de exposição a grupos de comportamentos de risco e contato com pessoas desconhecidas. Resumidamente: maior exposição a crimes de pedofilia e pornografia. Olhando desta forma os aparelhos não parecem tão inofensivos, não é mesmo?

Visando cuidar da saúde dos pequenos a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda o tempo de uso adequado para cada idade. Para os menores de dois anos a recomendação é de zero minutos de exposição a mídias pois as interações sociais com os cuidadores são muito melhores para o desenvolvimento da linguagem, da inteligência interação social e das habilidades motoras, além de proporcionar momentos de aprendizagem global, capacidade de resolução de problemas e habilidade de controle emocional. Todos estes cuidados tornarão a criança um adulto mais saudável e resiliente.

Entre a idade de 2 e 5 anos a recomendação é de 1 hora por dia; neste cálculo devemos considerar o período diário que a criança permanece na TV, celular, tablets e videogames.

Acima dessa idade é recomendável o tempo até 2 horas. O acesso deve ser monitorado e permitido apenas ao que é liberado para cada idade, respeitando-se a classificação indicativa, além de evitar conteúdos de violência, sexual, de comportamentos inadequados.

Que tal deixar os aparelhos um pouco de lado e dar uma volta no parque? A sua saúde agradece, e a dos pequenos também!

A febre na infância

Julia Bonn julho 25, 2019 0 comments
febre na infância

Olá gente, tudo bem? Hoje vou falar sobre um tema que apavora os pais e cuidadores: a FEBRE!

A preocupação é tão grande que já existe até um termo: “febre-fobia”.  Obviamente que não temos que subestimar os sinais e sintomas que os pimpolhos apresentam, mas é importante dar o peso correto às coisas. Será que a febre é uma coisa tão ruim? Repitam comigo: Febre não é nenhum bicho-papão! Ela nada mais é que um sinal de um ótimo funcionamento do sistema imunológico do seu filho (pasmem!) e possui um importante papel no combate a infecção.

A febre é um problema tão comum que pelo menos dois terços das crianças farão uma visitinha ao pediatra por causa de uma doença febril aguda antes de completarem os três anos de idade. Então é bom você ir acalmando seu coração até que este momento chegue.

Antes de seguirmos com o assunto vamos à definição de febre; como há inúmeras variáveis que afetam a temperatura corpórea não há um valor especifico para sua definição, mas uma temperatura axilar maior que 37,5ºC já um valor que merece atenção.

O tratamento da febre é uma obsessão para a maioria das pessoas, como se ela fosse uma doença, e não um sintoma. A maioria dos pais acha que a temperatura subirá indefinidamente e causará danos cerebrais e até morte. Acontece que a maioria dos efeitos da febre é inofensiva, transitória e tratável. Então porque tratamos? Ora, para aliviar o desconforto da criança! É muito comum que os pequenos guerreiros fiquem mais prostrados, quietinhos e sem fome.

Vale lembrar que o mais importante não é o valor da temperatura, mas o quão doente a criança se encontra. Existem inúmeros fatores desencadeantes que variam desde um processo infeccioso (mais comum) até um evento neoplásico, traumático e imunológico. Observar todos os sinais associados e reporta-los ao pediatra ajudará a elucidar a causa, e, portanto, tratar corretamente.

Independentemente da causa é fundamental manter o bem estar do seu filho, hidratá-lo bastante e observar. Banhos mornos, roupas leves e repouso são importantes aliados. Os antitérmicos devem ser utilizados com cautela (e sempre sob prescrição médica). Deixe o trabalho duro (investigar o motivo da danada) com o seu pediatra.