Qual o significado do dinheiro para você?

Rodrigo Mazzei agosto 20, 2019 0 comments 142 Visualizações
Qual o significado do dinheiro para você?

Essa pergunta leva a longas explanações de clientes. E podemos acabar caindo em situações de juízo de valor, afinal cada pessoa tem suas opiniões, crenças, princípios.

Mas uma coisa que não escapa é: precisamos de dinheiro para viver, mesmo as pessoas que ainda não produzem renda, como nossos filhos pequenos, por exemplo.

E aí sempre conduzo o assunto para o tema planejamento financeiro pessoal. Precisamos entender que além de ganhar e gastar, retroalimentar esse ciclo ao longo de toda uma vida, o dinheiro envolve aspectos emocionais, culturais, educacionais e até mesmo do subconsciente que mantém as pessoas presas em determinado status quo. Ou seja, não é somente o velho jogo de lógica em que 2 mais 2 são 4. Logo, basta gastar menos do que ganha e tudo estará resolvido. Assim como, para emagrecer, basta gerar déficit calórico e se alimentar com menos do que necessita para as atividades diárias. É fato que existem componentes de aspectos cognitivos e emocionais que agem sobre essa fórmula e fazem as pessoas tomarem atitudes inadequadas em suas vidas financeiras.

Diversas pesquisas mostram que, de modo geral, o brasileiro possui pouco conhecimento para lidar com suas finanças. Temos baixas taxas de poupança familiar, baixo conhecimento do mercado financeiro em geral, baixo índice de pessoas físicas em bolsas de valores, uso de crédito sem planejar, mercado bancário concentrado e por aí vai.

E isso pode estar relacionado principalmente a nossa história econômica recente. Somos um país que lutou muito para sair do processo inflacionário. Praticamente durante 20 anos, entre as décadas de 80 e 90, com alguns sobressaltos posteriores já no Plano Real. A inflação fazia com que as pessoas não tivessem condições de efetivar seus planejamentos financeiros de médio e longo prazo. Logo, decisões relacionadas a aposentadoria, faculdade dos filhos, poupar para casa própria etc., ficavam prejudicadas pela falta de percepção de qual situação estaria nossa economia meses adiante.

Um segundo aspecto é a orientação familiar que tivemos em relação à dinheiro. Como esse tema foi tratado em nossa casa durante nosso crescimento? Havia diálogo dos pais? As decisões de gastos eram planejadas e discutidas? A família sempre soube priorizar itens necessários antes dos supérfluos? Os pais preocupavam em mostrar o que o dinheiro deveria significar para você? Ou seja, esse “mindset” criado em nosso “HD” precisa ser decifrado também.

Educação financeira e aspectos de planejamento financeiro pessoal deveriam ser ensinados nas escolas. Existem ocasiões que reforçam essa necessidade de conhecimento mais profundo ou apoio profissional de um planejador financeiro. Afinal, na vida podemos passar por transições financeiras como casamento, divórcio, nascimento de filho, recebimento de herança, desemprego, endividamento, fornecer auxílio a pais idosos. Por outro lado, temos que entender que existe um ciclo produtivo em nossa vida. Inicialmente somos sustentados desde bebês até ganhar condições de entrar no mercado de trabalho. Podemos chamar essa fase de primeira idade. Daí passamos a maior parte da vida gerando recursos para nosso sustento e da família, realização de sonhos e projetos pessoais. É a fase mais longa de nossa vida, a segunda idade. Finalmente passamos para a fase de usufruir do que foi acumulado ao mesmo tempo que vamos perdendo capacidade de trabalho, então estamos na terceira idade.

E nessa última fase o brasileiro possui problemas, pois não se planejou na anterior procurando acumular recursos para geração de renda passiva. Dados do IBGE mostram que somente 1% dos idosos brasileiros são independentes financeiramente. Portanto, devemos entender que não somos capazes de nossa capacidade de renda para sempre. O orçamento possui limites e devemos ter consciência em viver dentro deles. E mais do que limite, devemos poupar e planejar a vida financeira do futuro.

Portanto, nesse espaço irei tratar dos assuntos que envolvem um bom planejamento financeiro pessoal e familiar. A missão é contribuir com informações práticas que possam levar a reflexão e mudança de hábitos em relação ao dinheiro. Afinal, não podemos viver como o ratinho que sempre fica girando a rodinha da gaiola, no ciclo vicioso: trabalhar, pagar contas, trabalhar ainda mais, aumentar a renda, gastar mais do que antes, pagar mais contas….

Quem planeja tem futuro, quem não planeja tem destino!