Brincar é coisa séria

julho 21, 2016 0 comments 2757 Visualizações
brincar é coisa séria

O brincar é uma forma natural da criança se expressar. A criança carrega dentro de si uma possibilidade de recriação do mundo e das coisas. Brinca e transforma o que desejar em brincadeira, não havendo uma relação direta entre o objeto e o uso que a criança faz dele. É brincando que a criança começa a se introduzir no universo social, ou seja, o brincar conduz à experiência cultural.

Quando brinca de escola, exercita os papéis de aluno e professor; quando brinca de casinha, vivencia os papéis de pai, mãe, filho, e pode elaborar conteúdos inconscientes e experiências da realidade. Ela exercita a sua relação afetiva com o mundo, com as pessoas e com os objetos, o que vai lhe propiciar amadurecimento e uma maior segurança emocional. Além disso, a brincadeira estimula a curiosidade, a autonomia e proporciona o desenvolvimento da linguagem, do pensamento, da concentração e da atenção.

Segundo Sigmund Freud, criador da Psicanálise, uma das atividades lúdicas da criança são os jogos com as palavras. Ele afirma que a criança experimenta prazer ao adquirir a língua materna e, assim, brinca com as palavras, se diverte com os seus variados ritmos, as repetições, rimas, ecos. Ele também observa que ao brincar, a criança cria um mundo de fantasias carregado de emoções.

As crianças têm sido incluídas no mecanismo do stress contemporâneo de acúmulo de atividades, e têm ficado sem tempo para brincar. Além disso, tem acontecido com frequência desse brincar genuíno ser atravessado por uma oferta excessiva de estímulos, de brinquedos e de objetos. A partir dos avanços da tecnologia, do uso do celular, da internet, dos “gadgets”, dos jogos cada vez mais elaborados, aumentam os casos chamados de “net adicction” (vício da Internet) também entre crianças. Elas apresentam, muitas vezes, em consequência disso, transtornos que necessitam de uma atenção clínica. Os sintomas, em geral podem ser: insônia, comportamento antissocial, queda no rendimento escolar, irritabilidade, ansiedade.

Sendo o brincar, uma experimentação singular, fruto de um processo interno, é desejável que o ambiente o favoreça, escutando a criança, deixando que ela se manifeste. O ato de brincar pode ser relacionado com várias formas de expressão. Construir um castelo de areia, explorar formas diversas com tijolinhos de madeira ou com legos, cantar, fazer mímica, dançar, pintar, desenhar entre outras atividades.

Para melhor se envolver com o universo lúdico da criança, é interessante que os pais resgatem suas próprias vivências afetivas com a brincadeira, lembrando que a criança que foram, pode aproximá-los da criança que eles têm. Nossa estruturação como sujeitos depende não só da nutrição e dos cuidados com o corpo, mas de afeto e laço que constituímos com o outro. É importante que os pais desenvolvam atividades relacionais com os filhos, desde bebês; embalando-os no colo, cantando, conversando, contando histórias.

Portanto, para a criança, é mais importante que os pais brinquem com ela do que lhe ofereça um excesso de brinquedos e atividades!

Por – Léa Nemer

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