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Rodrigo Mazzei

Rodrigo Mazzei

Planejador Financeiro Pessoal, Bacharel em Ciências Econômicas, Mestre em Economia, Professor Universitário, Empreendedor.

Simplifique a gestão do seu orçamento familiar

Rodrigo Mazzei setembro 24, 2019 0 comments
Orçamento familiar

Já parou para pensar que passamos a vida correndo atrás de dinheiro para tentar melhorar nossa qualidade de vida? Claro que o conceito de qualidade de vida é etéreo, cada um tem o seu. Outro ponto importante é que nossa capacidade de gerar renda geralmente tem limites. Profissionais liberais, por exemplo, possuem um número máximo de horas a serem vendidas. Profissionais celetistas e servidores públicos também.

Atividades empreendedoras normalmente permitem aumentar a renda, mas nada é garantido para a eternidade. Portanto, se pensarmos que nosso orçamento pode ser sempre melhorado aumentando a renda, vemos que essa opção por vezes é bastante limitada. Logo, se faz necessário uma boa gestão do lado dos gastos, buscando otimizar para usar os recursos com eficiência.

Estando organizado, itens como ampliação do seu patrimônio, a organização das finanças, o endividamento, a viagem com a família, a educação dos filhos, a compra de um imóvel, a aposentadoria, a sucessão, os investimentos, as metas para o ano que vem ou outro bem mais para frente ficarão mais fáceis de serem atingidos.

A proposta dessa vez é falar de um método simples que pode ser imediatamente aplicado. O método dos potes. A proposta é dividir o orçamento doméstico em três grandes áreas: segurança financeira, padrão de vida e independência financeira.

No primeiro pote devemos colocar os recursos para nossa proteção financeira e garantia de padrão de vida, mesmo que aconteçam imprevistos. É comum vermos histórias de pessoas e famílias que perderam tudo por não terem um plano de saúde, uma reserva de emergência ou seguros bem dimensionados. Entendemos que não estamos pensando apenas na parte financeira nesse item, mas também nas pessoas que amamos. Por mais que tenhamos um orçamento organizado e bom patrimônio imobilizado, uma emergência de saúde pode levar embora o que foi conquistado.

Por isso, planos de saúde e seguros de doenças graves são itens muito importantes em um planejamento financeiro. Outro aspecto está relacionado a itens como gastos extras ou imprevistos, perda repentina de renda, prejuízos inesperados, ajuda emergencial a entes queridos, dentre outros. Para esses casos recomenda-se a chamada Reserva de Emergência. Ela se destina a suprir a necessidade de liquidez imediata em casos como esses. Assim evita-se pagar uma das despesas mais caras que existem: o aluguel do dinheiro, mais conhecido como taxa de juros de empréstimos.

O senso comum entre os especialistas é manter entre 3 e 12 meses das despesas fixas mensais em aplicações de liquidez imediata, de fácil acesso e sem volatilidade ou riscos. A escolha desse tempo vai variar de acordo com o perfil da pessoa ou família. Já os seguros de vida, hoje bastante modernos, permitem atender diversos perfis de pessoas: profissionais liberais e chefes de família por exemplo, devem pensar em como os dependentes continuariam vivendo em caso de falta repentina ou afastamentos laborais causados por doenças ou invalidez.

No segundo pote geralmente é concentrada a maior parte do nosso orçamento. Incluímos nele as despesas relacionadas ao padrão de vida, tais como: moradia, transportes, alimentação, estudos, vestuário, lazer, hobbies e sonhos. Normalmente a maior fuga de recursos das famílias acontece nesse item. Recomenda-se de tempos em tempos revisar o que está sendo gasto, se realmente as despesas desse item estão adequadas ao padrão de renda ou se estão ocorrendo muitos desperdícios e gastos supérfluos.

Aqui também podem ser feitos potes intermediários para poder fazer pequenos planos financeiros: aplicações para viagens e férias planejadas, para troca de carro, para reforma da casa, para chegada do bebê, festas e comemorações etc. Dessa forma é possível planejar os desejos, ajustar as aplicações conforme o prazo de realização e a capacidade de poupança. Evita-se dessa forma, gastar por impulso e comprometer orçamento futuro que poderá fazer falta em alguma outra área das obrigações financeiras.

Recomenda-se começar as aplicações desse item após o primeiro pote estar resolvido, com reserva de emergência e proteções financeiras adequadas ao perfil. Sabemos que para construir uma boa casa devemos ter uma fundação sólida.

O terceiro pote é dedicado ao projeto de independência financeira e geração de renda passiva. Você já decidiu o que deseja fazer depois dos 60 ou 70 anos? Ou pretende parar de trabalhar mais cedo? Então vale a reflexão: o que está fazendo desde já para atingir seu objetivo? Ainda não tem um? Pois saiba que quanto mais cedo se começa a poupar para o futuro, mais fácil fica para você.

Os próprios juros, lucros e dividendos gerados por seus ativos podem ser reaplicados a fim de gerar um crescimento exponencial. E o tempo é o principal fator de sucesso nesse item. Planeje-se desde já. Chame seu parceiro para discutir ideias e visualizar possibilidades, para pensar com clareza e decidir com segurança. O método dos potes ajudará muito nesse sentido, em qualquer fase da vida financeira que estiverem.

Quem planeja tem futuro, quem não planeja tem destino.

Qual o significado do dinheiro para você?

Rodrigo Mazzei agosto 20, 2019 0 comments
Qual o significado do dinheiro para você?

Essa pergunta leva a longas explanações de clientes. E podemos acabar caindo em situações de juízo de valor, afinal cada pessoa tem suas opiniões, crenças, princípios.

Mas uma coisa que não escapa é: precisamos de dinheiro para viver, mesmo as pessoas que ainda não produzem renda, como nossos filhos pequenos, por exemplo.

E aí sempre conduzo o assunto para o tema planejamento financeiro pessoal. Precisamos entender que além de ganhar e gastar, retroalimentar esse ciclo ao longo de toda uma vida, o dinheiro envolve aspectos emocionais, culturais, educacionais e até mesmo do subconsciente que mantém as pessoas presas em determinado status quo. Ou seja, não é somente o velho jogo de lógica em que 2 mais 2 são 4. Logo, basta gastar menos do que ganha e tudo estará resolvido. Assim como, para emagrecer, basta gerar déficit calórico e se alimentar com menos do que necessita para as atividades diárias. É fato que existem componentes de aspectos cognitivos e emocionais que agem sobre essa fórmula e fazem as pessoas tomarem atitudes inadequadas em suas vidas financeiras.

Diversas pesquisas mostram que, de modo geral, o brasileiro possui pouco conhecimento para lidar com suas finanças. Temos baixas taxas de poupança familiar, baixo conhecimento do mercado financeiro em geral, baixo índice de pessoas físicas em bolsas de valores, uso de crédito sem planejar, mercado bancário concentrado e por aí vai.

E isso pode estar relacionado principalmente a nossa história econômica recente. Somos um país que lutou muito para sair do processo inflacionário. Praticamente durante 20 anos, entre as décadas de 80 e 90, com alguns sobressaltos posteriores já no Plano Real. A inflação fazia com que as pessoas não tivessem condições de efetivar seus planejamentos financeiros de médio e longo prazo. Logo, decisões relacionadas a aposentadoria, faculdade dos filhos, poupar para casa própria etc., ficavam prejudicadas pela falta de percepção de qual situação estaria nossa economia meses adiante.

Um segundo aspecto é a orientação familiar que tivemos em relação à dinheiro. Como esse tema foi tratado em nossa casa durante nosso crescimento? Havia diálogo dos pais? As decisões de gastos eram planejadas e discutidas? A família sempre soube priorizar itens necessários antes dos supérfluos? Os pais preocupavam em mostrar o que o dinheiro deveria significar para você? Ou seja, esse “mindset” criado em nosso “HD” precisa ser decifrado também.

Educação financeira e aspectos de planejamento financeiro pessoal deveriam ser ensinados nas escolas. Existem ocasiões que reforçam essa necessidade de conhecimento mais profundo ou apoio profissional de um planejador financeiro. Afinal, na vida podemos passar por transições financeiras como casamento, divórcio, nascimento de filho, recebimento de herança, desemprego, endividamento, fornecer auxílio a pais idosos. Por outro lado, temos que entender que existe um ciclo produtivo em nossa vida. Inicialmente somos sustentados desde bebês até ganhar condições de entrar no mercado de trabalho. Podemos chamar essa fase de primeira idade. Daí passamos a maior parte da vida gerando recursos para nosso sustento e da família, realização de sonhos e projetos pessoais. É a fase mais longa de nossa vida, a segunda idade. Finalmente passamos para a fase de usufruir do que foi acumulado ao mesmo tempo que vamos perdendo capacidade de trabalho, então estamos na terceira idade.

E nessa última fase o brasileiro possui problemas, pois não se planejou na anterior procurando acumular recursos para geração de renda passiva. Dados do IBGE mostram que somente 1% dos idosos brasileiros são independentes financeiramente. Portanto, devemos entender que não somos capazes de nossa capacidade de renda para sempre. O orçamento possui limites e devemos ter consciência em viver dentro deles. E mais do que limite, devemos poupar e planejar a vida financeira do futuro.

Portanto, nesse espaço irei tratar dos assuntos que envolvem um bom planejamento financeiro pessoal e familiar. A missão é contribuir com informações práticas que possam levar a reflexão e mudança de hábitos em relação ao dinheiro. Afinal, não podemos viver como o ratinho que sempre fica girando a rodinha da gaiola, no ciclo vicioso: trabalhar, pagar contas, trabalhar ainda mais, aumentar a renda, gastar mais do que antes, pagar mais contas….

Quem planeja tem futuro, quem não planeja tem destino!