Por que o bebê está roxinho?

Fernando Dias junho 24, 2016 0 comments 2543 Visualizações
por que o bebê está roxinho?

Há 15 anos entro em salas de parto, como pediatra, para receber os bebês. Tantas coisas mudaram desde 2001… Isso porque, de cinco em cinco anos, especialistas de todo o mundo se reunem para atualizar as recomendações sobre a melhor forma de receber um bebê e, principalmente de ajudá-lo na transição entre um mundo aquático e um terrestre, caso seja necessário.

Uma coisa não mudou, a pergunta que mais ouço é “por que ele está roxinho?”, num tom de desespero, feita pelo pai ou pela mãe, aquele que tiver mais coragem de ouvir uma resposta, que eles imaginam ser ruim. E é sobre isso que vou falar e, também, de outros procedimentos pediátricos que acontecem na sala de parto.

Sim, os bebês nascem um pouco “roxinhos”, as vezes bastante “roxões”. Isso porque, dentro do útero, o ambiente é completamente diferente do nosso, o feto é um ser aquático que não faz a troca de gás carbônico por oxigênio igual fazemos aqui fora. Tudo isso vai mudar quando ele respirar pela primeira vez, mas nada muda de um segundo para o outro. Por isso, chamamos os primeiros minutos de vida de momento de transição. O bebê precisará de mais de 5 minutos para ter um quantidade de oxigênio no sangue parecida com a nossa. Por isso, há mais de 10 anos, aqueles especialistas que citei lá em cima, recomendam que não nos preocupemos com a cor ao nascimento. Se o bebê estiver bem, movimentando ativamente, chorando, é só darmos um tempinho que em breve ele estará rosinha.

Se o bebê e a mãe estiverem bem, vamos aguardar de 1 a 3 minutos para pinçar o cordão umbilical e cortá-lo em seguida. Principalmente no parto normal, alguns obstetras oferecem ao pai para que ele corte o cordão. Isso é de um significado sensacional, e nessas horas sempre me emociono. Enquanto a mulher está gestando, ela e o bebê são praticamente a mesma pessoa, e nos primeiros meses o bebê ainda não consegue fazer esta diferenciação. E mais tarde, por volta do final do primeiro ano e ao longo da vida, o pai terá esta importante missão, “separar” mãe-filho e mostrar para a criança o lugar de cada membro da família.

Durante os cinco primeiros minutos de vida do bebê, o pediatra dará duas notas que variam de 0 a 10, no 1o e no 5o minutos, chamado escore de Apgar, que avaliar a vitalidade ao nascer. Isso facilita a comunicação técnica, principalmente nos casos dos bebês que precisam de ajuda nesta transição. Uma nota maior que 7 é adequada, e é raríssimo uma nota 10. De qualquer forma, não se preocupem pois não conta para o ENEM.

O bebê não consegue conservar a temperatura da pele adequadamente, ainda mais neste momento, porque ele estará molhado pelo líquido amniótico. Por isso, o pediatra deve secá-lo e garantir que a temperatura da sala de parto esteja entre 23 e 26oC. Mas a melhor maneira de mantê-lo quentinho é o contato pele a pele com a mãe, se as condições clínicas dos dois possibilitarem isso, é claro. Além de manter o calor do bebê, o contato pele a pele favorece a amamentação que, se ocorre na sala de parto, já é um grande passo para que essa se estabeleça com sucesso.

De cada 10 bebês que nascem, um precisa de alguma ajuda nesta transição, e é por estes 10%, que o pediatra faz questão de estar em todas as sala de parto. O primeiro minuto de vida é chamado de “minuto de ouro”. No caso de o bebê precisar de ajuda para iniciar a respiração, o pediatra o levará para um berço aquecido e fará todos os passos padronizados mundialmente. É comum neste momento os pais ficarem agitados, querendo respostas. Tudo será devidamente explicado ao final do trabalho do pediatra, pois a prioridade no momento é garantir que o primeiro minuto de vida do bebê seja realmente dourado.

Outra preocupação é quando o bebê elimina mecônio (primeira evacuação) dentro da barriga da mãe. Tudo dependerá de como o bebê vai nascer. Ele tanto poderá ir para o colo da mãe quanto ir para o bercinho para receber cuidados especiais.

Outra situação que exige cuidados especiais é a de bebês prematuros, ou seja, menores de 37 semanas. Se for menor que 34 semanas, ele será levado ao berçário ou para o CTI para cuidados especiais. Abaixo dessa idade, é comum o bebê ainda não conseguir mamar, engolir e respirar ao mesmo tempo, e os pulmões podem ainda estarem imaturos.

Após um parto, que tudo correu bem para mãe e bebê, a partir de 24 horas do parto normal, e 48 horas do parto cesárea, a alta da mãe será avaliada pelo Obstetra e a do bebê pelo pediatra. Por mais que nossa casa seja muito mais confortável que o hospital, este tempo é necessário para certificarmos que tudo está bem e para tirar as dúvidas que forem surgindo.

Por – Ana Elisa

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